Descobrir Marie Isabelle Canto da Maya
arquivo, ausência, presença
DOI:
https://doi.org/10.34629/rcdmt.vol.3.n.1.pp7-24Palavras-chave:
Cinema português, Documentário português, Biografia, Cineastas, Mulheres no cinema portuguêsResumo
Neste artigo propõe-se uma revisão historiográfica do cinema em Portugal a partir da trajetória de Marie Isabelle Canto da Maya (1944–2022), criadora ainda por conhecer. A sua obra é analisada num contexto de reavaliação do papel das mulheres no cinema português, tradicionalmente obscurecido por modelos historiográficos centrados em autores masculinos, longas-metragens de ficção e produções canónicas.
Marie Canto da Maya surge como uma figura complexa e difícil de fixar, tanto pela dispersão dos arquivos como pela instabilidade de dados biográficos e artísticos. Escreveu, realizou e produziu filmes, foi atriz e fotógrafa e autora de textos sobre cinema e a relação desta arte com a infância, o inconsciente e a literatura. O documentário Hymne d’amour, dedicado ao pai, o escultor Ernesto Canto da Maia, ocupa um lugar central nesta reflexão. Ao mesmo tempo biografia, diário íntimo e gesto autobiográfico, revela como a cineasta constrói a sua própria presença através da figura paterna. Estudar Marie Canto da Maya implica aceitar lacunas, fragmentos e arquivos incompletos, não para reconstruir uma biografia perdida, mas para compor criticamente uma presença feita de vestígios, imagens e nomes que desafiam a fixidez.
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