Master

um novo objeto artístico matricial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34629/rcdmt.vol.2.n.2.pp74-95

Palavras-chave:

Música, Música popular, Música erudita, Filosofia da música, Estética, Tecnologia

Resumo

Este ensaio teórico-conceptual de pendor filosófico-estético procura examinar o impacto das novas tecnologias de áudio, em especial as digitais, na redefinição da obra musical, refletindo como, na música popular, o master – o ficheiro final, autorizado para distribuição, do processo de produção – adquire o estatuto ontológico de objeto artístico matricial – ou seja, a referência normativa a partir da qual as várias cópias são geradas. Contrasta-se esta dinâmica, para uma problematização mais precisa, com a da música erudita, na qual parece tendencialmente prevalecer a centralidade da performance ao vivo e da fidelidade representacional. Através de referências teóricas, exemplos e até cenários hipotéticos, analisa-se também a forma como o estúdio se transforma em espaço de criação estética, no qual o design sonoro adquire o mesmo peso artístico dos parâmetros tradicionais. Conclui-se que, ao ser integrada no quotidiano através da audição repetida – possibilidade inaugurada pelo master –, a música popular se transforma num artefacto cultural ubíquo e funcionalizado, refletindo as próprias transformações que têm radicalmente reconfigurado as sociedades modernas.

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Biografia do Autor

  • João Vilar, Universidade de Aveiro

    Natural de Vale de Cambra, João Vilar é compositor, produtor, intérprete e investigador. Frequenta atualmente o Programa Doutoral em Música (Composição) da Universidade de Aveiro. O seu trabalho enquanto investigador tem-se centrado nos estudos de música popular, bem como nas relações hibridistas entre esta e a música erudita.

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Publicado

2026-01-29

Edição

Secção

Artigos

Como Citar

Master: um novo objeto artístico matricial. (2026). RHINOCERVS: Cinema, Dança, Música, Teatro, 2(2). https://doi.org/10.34629/rcdmt.vol.2.n.2.pp74-95