Master
um novo objeto artístico matricial
DOI:
https://doi.org/10.34629/rcdmt.vol.2.n.2.pp74-95Palavras-chave:
Música, Música popular, Música erudita, Filosofia da música, Estética, TecnologiaResumo
Este ensaio teórico-conceptual de pendor filosófico-estético procura examinar o impacto das novas tecnologias de áudio, em especial as digitais, na redefinição da obra musical, refletindo como, na música popular, o master – o ficheiro final, autorizado para distribuição, do processo de produção – adquire o estatuto ontológico de objeto artístico matricial – ou seja, a referência normativa a partir da qual as várias cópias são geradas. Contrasta-se esta dinâmica, para uma problematização mais precisa, com a da música erudita, na qual parece tendencialmente prevalecer a centralidade da performance ao vivo e da fidelidade representacional. Através de referências teóricas, exemplos e até cenários hipotéticos, analisa-se também a forma como o estúdio se transforma em espaço de criação estética, no qual o design sonoro adquire o mesmo peso artístico dos parâmetros tradicionais. Conclui-se que, ao ser integrada no quotidiano através da audição repetida – possibilidade inaugurada pelo master –, a música popular se transforma num artefacto cultural ubíquo e funcionalizado, refletindo as próprias transformações que têm radicalmente reconfigurado as sociedades modernas.
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